As negociações entre as Centrais Sindicais e o senador Romero Jucá
(PMDB – RR) em torno da regulamentação do direito de greve no serviço
público devem ficar tensas durante esta semana.
A proposta está sendo construída no âmbito da Comissão Mista de
Consolidação da Constituição Federal e Regulamentação de Dispositivos da
Constituição e apesar de ser um anseio antigo dos servidores, os
representantes das Centrais acusam Jucá, relator da proposta de usar o
nome das Centrais.
“Ele [ o senador Romero Jucá] mandou uma minuta dizendo que
recepcionou o que as Centrais apresentaram, mas ele não recepcionou
nada. Ele está usando o nome da gente pra dizer que negociou alguma
coisa. O senador sentou pra conversar, negociar é outra coisa”, reclamou
em entrevista à Agência Brasil o secretário-adjunto das relações do trabalho da Central Única dos Trabalhadores, Pedro Armengol.
As Centrais dizem que a proposta de Jucá trata a greve como um
direito parcial o que a tornaria inviável. “Nós não aceitamos isso. O
papel da Comissão é de regulamentar a Constituição, mas no nosso
entender ela está indo contra porque todo conceito colocado naquela
proposta é de direito parcial. A Constituição garante direito pleno de
greve ao servidor público”, disse Armengol.
Outra divergência entre sindicalistas e Jucá está no conceito de
essencialidade dos serviços. Pela proposta do relator, dependendo do
serviço prestado, entre 50% e 60% dos servidores devem continuar
trabalhando durante a greve. Antes da primeira reunião com as Centrais a
exigência era de 80%.
Mesmo com a diminuição do percentual sindicalistas avaliam que a
exigência não protege os serviços essenciais, só restringe ou proíbe a
realização de greves. O grupo também diz que não há possibilidade de
diálogo sem uma proposta sobre acordo coletivo. Jucá quer que esse ponto
seja tratado em outro projeto,mas os sindicalistas não aceitam. “A
maioria das greves no setor público acontece é porque o governo não
senta antes para negociar. È esta a grande causa de greve no setor
público”, garantiu Armengol .
A intenção do senador Romero Jucá é ouvir as Centrais mais uma vez
amanhã à tarde e colocar a proposta em votação na comissão na
quarta-feira (11). Se a proposta for colocada em votação do jeito que
está hoje, os representantes das Centrais prometem uma grande
mobilização para impedir o avanço da proposta.
Já senador Romero Jucá, argumenta que quando o assunto é greve o
setor público não pode ter o mesmo tratamento do setor privado. “Uma
greve no setor empresarial gera prejuízos à empresa, no setor público, a
população fica prejudicada, sobretudo a mais carente. No setor público é
diferente, temos que respeitar limites econômicos e fiscais impostos
pela Lei de Responsabilidade Fiscal”.
O senador disse ainda que a votação do relatório na quarta-feira (11)
está mantida,mas dependerá da disposição dos demais senadores que
integram a Comissão. “O projeto vai avançar. A Comissão é apenas o
primeiro passo da discussão que ainda tem pela frente os plenários da
Câmara e do Senado. Se houver necessidade o texto pode ir sendo
modificado”, explicou Jucá. ABr
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