O ICMS Interestadual foi tema de reunião, nesta segunda-feira (9), entre
Governo do Estado e representantes das federações empresariais, da
indústria, agricultura, comércio e serviços do Rio Grande do Sul e da
Assembleia Legislativa. A proposta de criação de uma lista de bens não
produzidos no Estado que ficariam isentos do chamado imposto de
fronteira foi reforçada pelo Executivo, mas não obteve consenso por
parte das entidades. O encontro ocorreu na sede do Conselho de
Desenvolvimento Econômico e Social (CDES-RS), na Capital.
"O
imposto de fronteira é fundamental dentro de uma estratégia de
desenvolvimento para o RS. O Governo entende que o comércio e o varejo
são imprescindíveis para o desenvolvimento do Estado, assim como a
indústria. A lista de exceções para bens essenciais que não são
produzidos no Estado consiste em uma proposta equilibrada, pois não
favorece um setor em detrimento de outro", explicou o
secretário-executivo do CDES-RS, Marcelo Danéris.
Conforme a
proposta, os itens para isenção da alíquota seriam estabelecidos pelas
próprias federações, durante prazo determinado, para a avaliação de seus
efeitos na economia gaúcha. A lista de exceções está sendo proposta
pelo Governo do Estado desde setembro, quando o fim da cobrança foi
decretado pela Assembleia Legislativa. O Piratini considera o decreto
inconstitucional, pois a prerrogativa para alteração da estrutura
orçamentária cabe somente ao Executivo.
"O fim integral da
cobrança beneficiaria varejo e comércio, mas desprotegeria a indústria
gaúcha, em relação às de outros estados", alertou. Danéris explicou
ainda que a extinção da alíquota poderia resultar no comprometimento da
geração de empregos, na perda de receita e no esvaziamento da indústria.
Desequilíbrio tributário
O
secretário-adjunto da Fazenda (Sefaz), André Paiva, afirmou que o fim da
alíquota causaria um desequilíbrio tributário na relação entre as
unidades federativas. "Existem vários problemas com a não cobrança do
Imposto de Fronteira. Para o varejo, pode parecer uma vantagem imediata,
mas seria uma irresponsabilidade com o futuro do RS e com a indústria
gaúcha, pois a longo prazo a medida não se sustentaria".
Paiva
reiterou que produtos oriundos de Minas Gerais e São Paulo, por exemplo,
ou mesmo de fora do país, ficariam extremamente baratos no RS. "O que
não acontece no processo inverso, quando os produtos gaúchos chegam aos
mercados desses estados e sofrem a taxação", explicou. "Em nenhum lugar
onde exista base industrial se abre mão de um tributo de consumo para
produtos importados".
Apesar das tentativas do Governo do Estado
para buscar um acordo sobre o tema, a criação da lista não foi aceita
pelas entidades, que pedem o fim da cobrança do imposto de fronteira. O
encontro teve a presença de representantes Fiergs, Federasul,
Fecomérico, FCDL, Frente Parlamentar das Micro e Pequenas Empresas da
Assembleia Legislativa (FPMPE) e a Secretaria Estadual da Fazenda
(Sefaz).
Isenção da multa na negociação da dívida e apoio aos MPEs
Na
última sexta-feira (06), a Secretaria da Fazenda anunciou à FCDL a
dispensa da multa para débitos do diferencial de alíquota interestadual
de ICMS para micro e pequenos empresários (MPEs) do Simples. Com aval do
Conselho Nacional de Política Fazendária, a medida permite a quitação
sem acréscimo a partir de janeiro de 2014. A dívida pode ser parcelada
em até 120 meses, com isenção de multa e redução de juros.
Com a
anistia, o Governo reforça a sua política de apoio aos micro e pequenos
empresários (MPEs). O Simples gaúcho, segundo estudos do Sebrae, é o
sistema que determina os menores impostos para os PMEs entre as unidades
federativas. Conforme dados da Sefaz, o setor vem apresentando
resultados expressivos: a arrecadação normal do Simples cresceu 19% nos
últimos cinco meses. É, portanto, um aumento de 13% acima da inflação.
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