A renúnciado deputado licenciado José Genoino (PT-SP), que suspendeu a instauração de um processo de cassação
de seu mandato, não invalida o pedido de aposentadoria apresentado pelo
parlamentar no início de setembro. A informação foi confirmada, há
pouco, pela Mesa Diretora da Câmara dos Deputados. De acordo com
integrantes da Mesa Diretora, como foi apresentado anteriormente, o
processo de análise sobre aposentadoria não perde a validade.
Laudo apresentado pela junta médica da Câmara, no último dia 27, determinou que Genoino teria de passar por nova perícia em
90 dias para avaliar de maneira mais conclusiva o pedido do
parlamentar. Os médicos se basearam no resultado de exames feitos por
Genoino no Instituto de Cardiologia do Distrito Federal (IC-DF) e em
avaliações físicas feitas pela junta.
O diretor-geral da Câmara, Sérgio Sampaio, disse que, como Genoino
já era aposentado por tempo de serviço e que “se tratava de concluir
seus 25 anos [no Parlamento] como homem honrado, que não quebrou o
decoro parlamentar”.
Sampaio também lamentou que o presidente da Câmara, Henrique
Eduardo Alves (PMDB-AL), não tenha acatado o pedido de efeito suspensivo
da sessão que apreciava a proposta de instauração do processo de
cassação no momento que a carta foi entregue.
“O pleito era que ele pudesse aguardar a conclusão do processo de
aposentadoria para, aí sim, enfrentar o processo de cassação”, ressaltou
Sampaio. "O Genoino está temporariamente licenciado e não pode se
defender. E foi por isso que ele apresentou [o pedido de renúncia], por
entender que o direito de defesa estava sendo negado", completou.
Pouco antes da reunião da Mesa Diretora, o deputado Biffi (PT-MS),
que ocupa a vaga de 4º secretário, antecipou que faria mais uma
tentativa. “Não pode hever processo de cassação enquanto ele (Genoino)
está licenciado”, disse Biffi, explicando que recorreria a uma das
teorias do direito do trabalhador.
No entanto, Henrique Eduardo Alves destacou que “o processo não
chegará à Comissão de Constituição e Justiça, nem a mesa vai conclui-lo,
porque, antes de apurar todos os votos, houve o encaminhamento da
renúncia”.
No momento da apresentação da carta de Genoino, quatro deputados
tinham votado a favor da instauração do processo e dois, contra. A mesa é
composta por sete parlamentares.
“O vice-líder, [deputado] André Vargas [PT-PR] nos entregou uma
carta de renúncia ao mandato do deputado Genoino, antes que pudéssemos
verificar os votos na sua integralidade”, explicou o presidente Alves.
Segundo ele, com a publicação da renúncia no Diário Oficial, o suplente deputado Renato Simões assume imediatamente o cargo. ABr
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