O ministro da Controlodaria-Geral da União, Jorge Hage, disse hoje (19)
que o decreto que regulamentará a Lei Anticorrupção aguarda análise da
Casa Civil. Aprovada em janeiro, a lei poderá punir as empresas
envolvidas em práticas ilegais com multa de até 20% do faturamento.
Segundo Hage, o decreto não apresenta "nenhum ponto de divergência
relevante", e será publicado após aprovação da presidenta Dilma
Rousseff. "Há consenso em praticamente todos os artigos, e agora está
sob cuidados da Casa Civil", afirmou, após evento na Fundação Getulio
Vargas, no Rio.
O decreto que regulamenta a lei apresentará os critérios para aplicação
de multas, prazos, além de agravantes e atenuantes como o acordo de
leniência para empresas envolvidas com corrupção. O acordo de leniência
incentiva uma pessoa ou empresa envolvida em corrupção a confessar
participação no crime, com a possibilidade de receber benefícios, como a
extinção da ação punitiva e a redução das penas.
Em outro sentido, a Lei Anticorrupção responsabiliza as empresas que se
obtiverem vantagens com a corrupção, mesmo que não tenha agido
diretamente no crime, mas beneficiada por ato praticado por entidade
contratada ou fornecedora.
Segundo o ministro, a expectativa é que as multas variem entre 0,1% a
20% do faturamente ou entre R$ 6 mil e R$ 60 milhões, caso não fique
comprovado o valor do faturamento. Jorge Hage avalia que a lei cumprirá
sua principal função, que é prevenir a corrupção nas empresas
brasileiras.
"Estamos mais preocupados com os efeitos preventivos da lei nos atos
lesivos, atos de corrupção, do que com os procedimentos para aplicação
de penas. Esperaria, no mundo ideal, que nunca tenha que aplicar as
penas, mas estou feliz de que sejam pesadíssimas, por só assim tem
efeito dissuasório [faz desistir]", afirmou.
Durante palestra na fundação, o ministro destacou que, mesmo sem
regulamentação, a lei estimula mudanças no ambiente de negócios,
programas de compliance (regras internas para impedir a
corrupção), de transparência com fornecedores, preocupação com quem se
consorcia e de quem adquire. "Logo depois da sanção da lei, vimos as
empresas buscando especialistas no assunto", revelou. EBC
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