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sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Dilma diz que PEC dos gastos é um retrocesso e a classifica de ser contra os pobres

A ex-presidente Dilma Rousseff concedeu nesta quinta-feira entrevista para o programa Esfera Pública, dos jornalistas Juremir Machado da Silva e Taline Oppitz, na Rádio Guaíba, e criticou a PEC 241, chamada por ela de “PEC contra os Pobres” ou “PEC da Maldade”. Entre outros temas, a primeira presidente mulher do Brasil criticou a condução do governo Michel Temer que estaria implementando um plano de retrocesso no Brasil para agradar uma pequena parte da população em detrimento da maioria.
Voltou a afirmar que o impeachment foi um golpe político e que o processo ainda não terminou. Questionou sobre a falta de empenho da Justiça na prisão do ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha, enquanto todo o foco está voltado para uma “pessoa que recaí suspeitas, que ainda não foram comprovadas”. Confira a entrevista na íntegra e ouça aqui.
Rádio Guaíba - Como a senhora tem feito o seu balanço após todos esses dias da situação (do impeachment), em face inclusive de todas as medidas que o presidente Temer vem adotando, por exemplo a pec 241?
Dilma Rousseff - Eu acho que a PEC 241 é uma PEC que se for aprovada pelo Congresso Nacional, vai de fato, da forma como ela está, se transformar no que eles estão chamando de “PEC do Mal” ou da "PEC contra os pobres”. Porque é uma PEC que pretende durar 20 anos. Então, em 2036, vamos ver os investimentos tanto na área de saúde e da educação, irão ter caído progressivamente em relação ao crescimento da economia e ao crescimento do PIB. O gasto per capita, ou seja, o gasto por pessoa também vai cair, pois a população vai aumentar em R$ 20 milhões no período em que a PEC vai estar vigindo. E também nas outras áreas, cultura, segurança, esportes, direitos humanos, agricultura familiar e agricultura em geral os recursos minguarão. Para a gente ter uma ideia, porque é muito difícil ficar projetando para as pessoas entenderem o que vai acontecer. Vamos falar se ela estivesse vigente desde 2006, o que aconteceria na saúde? Por exemplo, o orçamento de 2016 foi de R$ 102 bilhões. Se a PEC estivesse vigindo seria de R$ 65 bilhões, ou seja, metade. Na educação é muito pior, se ela estivesse desde 2006 em vigência, hoje, em 2016, em vez de gastar R$ 103 bilhões, gastaríamos R$ 31 bilhões, ou seja, um corte de 1/3. Fonte: Rádio  Guaiba/Foto: ABr

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