Davos (Suíça).- O debate entre privacidade
e segurança aberto por causa dos programas de espionagem americanos
ganhou força nesta quarta-feira no Fórum Econômico Mundial de Davos,
onde foi pedida uma maior transparência e responsabilidade.
"O
direito à privacidade deve ser uma questão principal de nossa época. A
ideia de que se não tem nada para esconder não tem nada para temer não é
um bom argumento. É um direito essencial e, esteja onde esteja, todo
cidadão tem direito a ele", afirmou o secretário-geral da Anistia
Internacional (AI), Salil Shetty.
A revelação da espionagem
interna e externa mantida pela administração do presidente dos Estados
Unidos, Barack Obama, revelada pela ex-analista da Agência de Segurança
Nacional (NSA) Edward Snowden, foi o eixo central de vários debates de
hoje em Davos.
"A falta de privacidade é uma ameaça à segurança.
As pessoas perdem a confiança no Estado, o que é perigoso", afirmou por
sua vez o presidente da Palantir Technologies, Shyam Sankar, para quem é
necessário regular como vão ser utilizados os dados coletados por
empresas e governos.
Não houve consenso em relação ao fim da
coleta de informação, mas sim sobre restrições ao seu uso, porque a NSA
não pode ser totalmente transparente sem comprometer sua efetividade.
"Não
acho que uma privacidade completa seja conveniente, mas foi bom que o
debate tenha sido aberto", afirmou o presidente da americana AT&T,
Randall Stephenson.
Para o presidente da operadora de
telecomunicações holandesa Vimpelcom, Augi K. Fabela, os usuários
acreditam nas empresas nas quais depositam seus dados, e em um momento
em que "os governos pedem mais do que necessitam, a solução está em um
diálogo entre as partes envolvidas".
O diretor-executivo da
telefônica britânica BT, Gavin Patterson, defendeu que uma nova
legislação proteja os usuários da internet.
E em um debate sobre o
novo contexto digital, a conselheira delegada do Yahoo!, Marissa Mayer,
pediu mais "transparência a Obama".
"Temos que ser capazes de recuperar a confiança de nossos usuários", acrescentou. EFE
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