Segundo o advogado, o interesse de
Cachoeira no trabalho de Dadá e de Jairo Martins era "usar as
informações no mundo dos negócios". "É notório que o interesse de
Cachoeira era usar essas informações no mundo dos negócios. O Cachoeira
é um negociante habilidoso. Penso que usava isso como arma de
negociação", disse o advogado.
"O trabalho deles era pesquisar, saber
das informações sempre referente a notícias. O Dadá levantava
informações pelo perfil de servidor militar dele. [Jairo Martins de
Souza] também investigava essas informações, até pelo perfil dele de
jornalista investigativo. Eles são treinados para isso e são pessoas
conhecidas no meio jornalístico", disse o advogado.
Os depoimentos de Dadá e de Jairo
Martins estão previsto para hoje na Comissão Parlamentar Mista de
Inquérito (CPMI) do Cachoeira. No entanto, segundo a defesa, eles
permanecerão calados.
Dadá foi flagrado em várias
interceptações telefônicas feitas pela Polícia Federal e é acusado de
ser espião do grupo. Além disso, ele é suspeito de arregimentar
policiais federais, civis e militares para as atividades na organização
criminosa. O inquérito da Polícia Federal também aponta que ele também
atuava na promoção dos sites de aposta eletrônica da organização e nas frentes de fechamento de bingos rivais.
Cachoeira é investigado por comandar
uma rede criminosa que cooptava agentes públicos e privados. Ele também
é suspeito de liderar uma rede de jogos ilegais. Os inquéritos
policiais apontam crimes de contrabando, lavagem de dinheiro, evasão de
divisas, peculato, violação de sigilo e formação de quadrilha que
teriam sido praticados pelo grupo.
De acordo com Leonardo Gagno, Dadá e
Jairo Martins disseram não ter conhecimento sobre as atividades ilegais
de Cachoeira, apesar da relação de "amizade" e "profissional" existente
entre eles. "A relação que existia entre Dadá, Jairo e Cachoeira era de
amizade e profissional. Os dois trabalhavam no levantamento de
informações. Quanto a atividades ilícitas, isso depende do ponto de
vista da sociedade. O jogo é moral para nós, mas é ilegal no Brasil.
Eles não tinham conhecimento de outras atividades do Carlos Cachoeira",
defendeu.
O advogado negou ainda que Dadá e Jairo
Martins teriam atuado no levantamento de informações por meios ilegais,
como escuta clandestinas e vazamento de documentos sigilosos. "Eles não
eram arapongas", disse. "Pelo que vi, essas informações não eram
sigilosas, qualquer advogado, qualquer pessoa atuante pode ter
oferecido essas informações a eles", destacou.
"Dadá foi treinado na Presidência [da
República] e na Abin [Agência Brasileira de Informação] para detectar
escutas ambientais e telefônicas. Essa história de que ele é um
araponga, que mantinha grampos, não é verdadeira", destacou. ABr
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