O
senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) admitiu nesta terça-feira,
em depoimento ao Conselho de Ética, que o contraventor Carlinhos
Cachoeira pagava a conta do aparelho Nextel que ganhou dele e no qual
conversavam. Ao responder a pergunta do relator Humberto Costa (PT-PE),
Demóstenes disse que era Cachoeira quem pagava a conta, "R$ 50, R$ 30
por mês".
O senador afirmou que não aceitou o aparelho de presente do
contraventor para escapar de ter suas conversas interceptadas. "Não
aceitei o aparelho porque ele não podia ser grampeado", disse o
senador, ao ressaltar que, desde 1999, quando era secretário de
Segurança Pública de Goiás, sabia que qualquer telefone ou rádio é
passível de ser grampeado.
Ao relator, Demóstenes disse que não soube precisar quando ganhou o
aparelho de presente do contraventor. Durante todo o depoimento, que
dura mais de três horas, o senador fez questão de falar que é amigo de
Cachoeira, mas acreditava que ele, até a Operação Monte Carlo,
deflagrada pela Polícia Federal no final de fevereiro, era apenas
empresário e não tinha negócios ilícitos.
Questionado se seria "estranho" ganhar o Nextel, o senador disse que
não achou, "porque falava em qualquer lugar". "Hoje, eu jamais faria
isso", observou ele. Demóstenes disse que logo após a prisão de
Cachoeira devolveu "imediatamente" o aparelho para a esposa do
contraventor, Andressa Mendonça. O depoimento do senador ainda segue
com as perguntas feitas pelo relator.Foto: AE/AE
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