Brasil - O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, disse
que já apresentou à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do
Cachoeira todas as informações que pode fornecer sem infringir as
restrições legais a que estão sujeitos os integrantes do Ministério
Público.
“As considerações que encaminhei à comissão foram feitas com base
nas indagações formuladas pela comissão”, disse o procurador, hoje
(24), referindo-se às respostas que enviou ontem à noite, por meio de ofício, às perguntas feitas pelos integrantes da comissão,
criada para investigar as relações do empresário Carlos Augusto Ramos,
o Carlinhos Cachoeira, com políticos e agentes públicos e privados.
Gurgel voltou a se defender das acusações de conivência com as
atividades do grupo supostamente liderado por Cachoeira. O procurador
repetiu que não acionou o Supremo Tribunal Federal (STF) ao receber os
autos da Operação Vegas porque considerou as provas insuficientes para
justificar a abertura de uma ação.
“O que tínhamos naquele momento era uma investigação limitada e
acanhada, concentrada essencialmente na exploração do jogo [ilegal] por
Carlos Cachoeira. Os fatos que hoje são objetos de apuração na CPMI
certamente não teriam vindo à tona se a Procuradoria não tivesse tomado
aquela decisão. Poucas vezes houve uma decisão tão bem-sucedida como
neste caso”, afirmou o procurador.
Ao deixar o 2º Encontro Nacional de Aprimoramento da Atuação do
Ministério Público no Controle Externo da Atividade Policial, que
acontece hoje (24) e amanhã (25), em Brasília, Gurgel ainda adiantou à
imprensa que o Ministério Público Federal estuda divulgar os salários
de seus servidores, atendendo às previsões da Lei de Acesso à
Informação.
“A lei acabou de entrar efetivamente em vigor. Estamos, no
Ministério Público, cuidando de examinar [o assunto], sempre no intuito
de que o Ministério deve ser exemplar na transparência. Estamos
examinando como atender isso e como efetivar [a divulgação das
informações], o que pode levar algum tempo – esperamos que o mínimo
possível”, concluiu o procurador.
Sancionada no fim do ano passado pela presidenta Dilma Rousseff e em vigor desde o último dia 16, a Lei 12.527
tem o objetivo de garantir aos cidadãos brasileiros acesso aos dados
oficiais do Executivo, Legislativo e Judiciário. A lei regulamenta o
acesso a dados do governo, pela imprensa e pelos cidadãos, e determina
o fim do sigilo eterno de documentos oficiais.
A posição do governo federal, de acordo com o ministro-chefe da Controladoria-Geral da União (CGU), Jorge Hage, é que a publicação dos salários não fere a privacidade dos servidores públicos. ABr
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