O próprio irmão do presidente da República havia dito em alto e bom som
que ele tinha conhecimento de um esquema de corrupção no governo que
poderia causar a queda de Fernando Collor em menos de 72 horas. No
entanto, era preciso provar.
A proposta veio rápido: a criação de uma Comissão Parlamentar de
Inquérito para investigar a existência do esquema comandado pelo
ex-tesoureiro da campanha presidencial, o empresário Paulo César
Cavalcante Farias.
Parecia fácil. No entanto, até a queda, foram necessários 118 dias de
pressões que começaram ainda na escolha dos integrantes da CPI,
passaram por depoimentos bombásticos, obtenção de provas, medos de
fracasso e noites em claro.
O resultado foi a produção de um relatório que serviu de base legal
para a aprovação de um inédito processo de impeachment contra o
presidente da República, o primeiro que havia sido eleito pelo voto
desde 1960. Essa semana conto mais.
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