Viva o Centro a Pé percorre a arte presente nos cemitérios



Considerados verdadeiros museus a céu aberto, os cemitérios de Porto Alegre reúnem mais de 300 obras de arte que ornamentam capelas, mausoléus, jazigos, monumentos e túmulos, produzidas, em especial, no período compreendido entre 1900-1940. Essas obras poderão ser visitadas no sábado, 26, a partir das 10h, na próxima edição do Viva o Centro a Pé, em roteiro que inclui os cemitérios da Santa Casa e Evangélico. Nesses locais são encontradas obras de grandes artistas europeus ou artesãos locais, que relatam histórias e adornam a eternidade de personalidades ou pessoas anônimas.

Com saída do totem do Caminho dos Antiquários, na Demétrio Ribeiro, em frente à Praça Daltro Filho, no encontro das ruas Coronel Genuíno e Marechal Floriano, o roteiro terá duração de duas horas. As inscrições devem ser feitas pelo e-mail vivaocentroape@gmail.com. Devido ao fato de o deslocamento do Centro ser feito por meio de um ônibus da Carris, as vagas são limitadas.

Para participar, basta doar alimentos não-perecíveis, que serão encaminhadas a instituições do município. Outra opção é a doação de ração para cães e gatos, que será destinada aos animais, por meio do Programa de Bem-estar Animal da prefeitura. Existem caixas para o recolhimento no ponto de saída das caminhadas. Informações: 3289-0176 e 0800-517686.

Roteiro - No cemitério da Santa Casa, destaque para o jazigo de Júlio de Castilhos, importante líder político do início do século XX. Nele, a pátria é simbolizada por uma figura feminina que carrega a bandeira nacional. É decorado com o lema positivista: "Os vivos são sempre e cada vez mais governados pelos mortos", uma aula de como os positivistas encaravam a morte e a vida política.

No jazigo de Pinheiro Machado, outro líder político gaúcho, o conjunto escultórico é ornado com crianças, simbolizando as gerações futuras e, em um baixo relevo, está representada a marcha da humanidade. No túmulo do músico Vítor Matheus Teixeira, o Teixeirinha, famoso compositor de músicas regionais, há uma escultura do cantor em tamanho natural, um dos raros conjuntos produzidos após 1950.  O túmulo de Iberê Camargo, mais adiante, destaca-se pela arte enxuta e despojada.

No Cemitério Evangélico, o túmulo de Rubem Berta, fundador da Varig, a alegoria apresenta Ícaro, figura mitológica que constrói asas com as quais procura voar. Na escultura, as asas são em mármore branco, resultando em um belo efeito. Existem ícones evidentes na arte tumular: uma tocha voltada para baixo significa a morte, a figura da papoula sugere o sono eterno, o leão agrega uma ideia de força à figura do morto.

Quem orienta a caminhada é a professora Luiza Fabiana Neitzke de Carvalho, pesquisadora de Arte Funerária, mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da Ufrgs, especialista em Patrimônio Cultural pela Universidade Federal de Pelotas.  É também membro fundadora da Associação Brasileira de Estudos Cemiteriais (ABEC) e participa da Association of Gravestone Studies (Massachusetts - USA).

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