Relator do processo do mensalão, que condenou dirigentes do PT
envolvidos no escândalo, o presidente do Supremo Tribunal Federal,
Joaquim Barbosa, recebeu neste domingo das mãos do senador tucano Aécio
Neves (MG) a Medalha da Inconfidência, dada pelo governo de Minas, em
Ouro Preto, antiga capital do Estado.
Aécio, potencial candidato do PSDB à Presidência, e o governador de
Minas, Antonio Anastasia (PSDB), fizeram de Barbosa a figura central da
cerimônia realizada anualmente no dia da morte do inconfidente Joaquim
José da Silva Xavier, o Tiradentes. Aécio negou conotação política no
evento.
“Estamos homenageando um mineiro que é reconhecido não apenas no
Brasil, mas no mundo inteiro”, disse Aécio. “Não tenho dúvida de que o
recente julgamento do STF é um marco importante para democracia
brasileira. Portanto, é uma honra para qualquer um de nós poder tê-lo
como conterrâneo.”
Outro mensalão
Mineiro de Paracatu, Barbosa foi o orador do evento e, em seu
discurso, defendeu a importância das ações afirmativas. “No Brasil
contemporâneo, há progressos recentes na promoção do ideário de
igualdade de Tiradentes, como é o caso do reconhecimento da desigualdade
e da exclusão social histórica de que foi vítima um segmento chave da
comunhão nacional, os negros, fato que levou o nosso STF a chancelar as
políticas de ações afirmativas para grupos sociais hipossuficientes em
universidades públicas.”
O ministro deixou o local sem falar com a imprensa. Questionado pelo
Grupo Estado sobre quando o STF pretende começar a julgar o mensalão
mineiro - caso que envolve políticos do PSDB -, ele apenas sorriu e
respondeu: “Está vendo por que eu não falo com vocês?”
Somente pessoas credenciadas e autoridades puderam ter acesso ao
evento. Um grupo de servidores públicos que protestava contra o governo
de Anastasia foi proibido de se aproximar da Praça Tiradentes.
Há 13 anos, quando o governador era Itamar Franco, o petista José
Dirceu foi orador do evento, ao lado do então presidente de honra do PT,
Luiz Inácio Lula da Silva, que dois anos depois chegaria ao Palácio do
Planalto. Dirceu, considerado pelo STF como chefe do esquema do
mensalão, criticou na época o governo do então presidente Fernando
Henrique Cardoso (PSDB).AE
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