O presidente das Organizações Globo, Roberto Irineu Marinho, afirmou
nesta quarta-feira que "o Brasil perde com a morte de Ruy Mesquita
(diretor do jornal 'O Estado de S.Paulo') um jornalista plenamente
consciente de sua missão, que seguiu com brilhantismo: informar,
separando a notícia da opinião, mas oferecendo ao público diferentes
pontos de vista, entre eles o seu, que revelava com sincera
combatividade". De acordo com Marinho, o legado de Mesquita, que morreu
nesta terça-feira, 21, influenciou "a todos nós, jornalistas, e,
certamente, continuará a influenciar as gerações futuras". "À família,
nossa solidariedade nesse momento triste", afirmou.
Especialista
Mesquita revolucionou a imprensa brasileira na década de 1960 com a
criação do "Jornal da Tarde", afirmou o professor Ângelo Sottovia
Aranha, especialista em Jornalismo Impresso da Universidade Estadual
Paulista (Unesp). "A geração que estava na adolescência e não lia jornal
passou a ler por conta do 'Jornal da Tarde', que era um jornal muito
moderno para a época", disse.
O "JT" foi criado em 1966, sob a responsabilidade de Mesquita,
lembra. "Ele deu a abertura para criar um projeto fenomenal, com um
conteúdo de vanguarda. A juventude que não lia jornais como o 'Estadão',
com textos grandes, passou a ler o 'Jornal da Tarde', que tinha também
um enfoque cultural bem forte e estimulante para a leitura dos jovens."
Aranha disse que Mesquita fez do "JT" um novo modelo de jornal. "Foi um
jornal que revolucionou a década de 60, estimulou e envolveu as pessoas
nas discussões da sociedade e, também, da política." AE
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