A manutenção dos baixos índices de popularidade do prefeito de São
Paulo, Fernando Haddad, preocupa a cúpula do PT, o governo Dilma e a
equipe que cuida da campanha do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, ao
governo paulista. Em conversas reservadas, o ex-presidente Luiz Inácio
Lula da Silva critica a “teimosia” de Haddad em fazer um governo
“eminentemente técnico” e o PT pressiona o prefeito a mudar a equipe.
Pesquisa
Datafolha publicada ontem mostrou que Haddad não recuperou nenhum ponto
da popularidade perdida nos protestos de junho - ele tem 18% de
aprovação (ótimo ou bom), mesmo índice que tinha no auge das
manifestações.
Lula esteve com Haddad há cerca de duas
semanas e tentou animá-lo. Disse que o “inferno astral” do primeiro ano
de governo estava no fim, mas aconselhou-o a não descuidar da política
na administração. “Você precisa de técnicos para tocar o barco, mas quem
faz o governo andar é a política”, disse Lula. Para o ex-presidente,
Haddad não consegue virar o jogo a seu favor porque associou sua imagem a
uma sucessão de problemas e más notícias.
O desgaste
começou em junho, quando manifestantes foram às ruas protestar contra o
aumento da tarifa de ônibus. Após muita resistência, Haddad cedeu, mas,
para dirigentes do PT, pareceu que obedecia a ordens do governador
Geraldo Alckmin (PSDB), quando poderia ter “faturado” politicamente o
recuo.
Depois vieram o aumento do IPTU e a investigação da
máfia dos fiscais, instalada na Prefeitura. Para o PT, Haddad não soube
aproveitar a “faxina” administrativa, que atingiu o secretário
municipal de governo, Antônio Donato (PT), coordenador de sua campanha, e
não só o ex-prefeito Gilberto Kassab (PSD).
Para a cúpula
do PT o prefeito “errou” ao colar sua imagem à investigação, como se
fosse “um promotor”. A fim de neutralizar mais danos, dirigentes do
partido querem agora que o prefeito indique para a Secretaria de Governo
um nome que tenha trânsito com Lula e o PT e faça a “ponte” com as
campanhas de Padilha e da presidente Dilma Rousseff à reeleição.
Após
a queda de Donato, Haddad nomeou interinamente o secretário adjunto,
Roberto Garibe. O PT quer a ida de José di Filippi Jr., secretário
municipal de Saúde, para essa cadeira. Filippi foi tesoureiro da
campanha de Dilma e tem ótimo relacionamento no PT. Haddad, no entanto,
não pretende levar o secretário de Saúde para a vaga.
Apesar
da desconfiança do PT, Haddad acredita que sua popularidade subirá nos
próximos meses, na esteira de ações de combate à corrupção promovidas
pela Controladoria-Geral do Município e também da adoção do Bilhete
Único Mensal.
A “faxina” é vista como nova marca da gestão,
que será “turbinada” com a contratação de mais auditores para atuar na
Controladoria. AE
- Blogger Comment
- Facebook Comment
Assinar:
Postar comentários
(
Atom
)
0 comentários:
Postar um comentário