Juiz dificilmente vai autorizar Dirceu no hotel

No cenário atual, parece difícil que a Vara de Execuções Penais do Distrito Federal permita que o ex-ministro José Dirceu assuma o cargo de gerente do hotel Saint Peter, em Brasília, como quer seu advogado.
No STF (Supremo Tribunal Federal), segundo a Folha apurou, é dado como muito provável que o juiz Bruno Ribeiro não concederá o benefício nem a Dirceu nem ao ex-tesoureiro petista Delúbio Soares, que pediu para trabalhar na CUT (Central Única dos Trabalhadores).

Ministro diz que não ver com bons olhos suspeita sobre hotel.
Dirceu e Delúbio estão presos na ala destinada a presos com direito a benefícios do regime semiaberto do Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, cumprindo pena pela condenação no julgamento do mensalão. Condenado a 10 anos e 10 meses de prisão, Dirceu cumpre inicialmente uma pena de 7 anos e 11 meses pelo crime de corrupção.
Delúbio cumpre pena de seis anos e oito meses por corrupção ativa e, também, foi condenado ainda por formação de quadrilha, mas o Supremo analisará recurso relativo a este crime em 2014.
A situação não era favorável a Dirceu mesmo antes da revelação,  no "Jornal Nacional" de ontem, de que um laranja panamenho era o controlador da empresa que fazia a gestão do Saint Peter quando a oferta de emprego ao ex-ministro foi concretizada. O benefício de trabalhar durante o dia fora da cadeia só é concedido quando o objetivo de ressocialização do detento é considerado factível pela Justiça.
Colocar um condenado por corrupção dentro de um hotel com mais de 400 quartos e várias possibilidades de manter contatos políticos e empresariais é, na opinião de uma pessoa próxima do caso, "parecido com deixar um alcoólatra em recuperação trabalhando em um bar".
Além disso, o dono brasileiro do hotel, Paulo Abreu, vem tendo seus negócios escrutinados. A Folha, por exemplo,  revelou que ele conseguiu benefícios do governo para uma de suas emissoras de TV na mesma semana em que ofereceu o emprego de R$ 20 mil mensais a Dirceu.
Abreu, que é irmão do "dono" de um partido nanico da base de Dilma Rousseff, o PTN, afirma que conhecia superficialmente Dirceu e que quis empregá-lo por sua qualificação.
No caso de Delúbio, que pediu para trabalhar por R$ 4.500 mensais no setor de formação da CUT, o argumento contrário é o de que o ambiente de trabalho pode não cumprir a meta da ressocialização.
Também condenado por corrupção quando era tesoureiro do PT, ele ocupou o mesmo cargo na própria CUT antes de assumir a função no partido, em 2000. O juiz Ribeiro, que não comenta o caso, não tem prazo para analisar o pedido dos dois e de Jacinto Lamas, ex-tesoureiro do PL (atual PR). A Procuradoria Geral da República já deu parecer contrário ao pedido de emprego de Lamas, que enviou nova solicitação por meio de sua defesa ao STF.  (Folha S. Paulo)


 
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