O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban
Ki-moon, está articulando a atuação de líderes africanos para tentar
solucionar a crise no Sudão do Sul, país recém-criado e que tem
enfrentado confrontos e tensões internas que culminaram em uma tentativa
de golpe de Estado nesta semana. O Conselho de Segurança da ONU também
pediu que as partes cessem as hostilidades e busquem um entendimento
para evitar mais violência. Estima-se que mais de 500 pessoas tenham
morrido nos confrontos e que mais de 20 mil tenham buscado a proteção da
entidade internacional.
"Essa é uma crise política que tem de ser urgentemente solucionada
por meio de diálogo político. Existe o risco de a violência se espalhar
para outros Estados", disse Ban Ki-moon, ao informar que entrou em
contato com o presidente de Uganda, Yoweri Museveni, devido ao seu papel
de líder regional.
A tentativa de golpe para derrubar o governo do presidente Salva
Kiir foi conduzida por políticos e militares e teria sido liderada pelo
ex-vice-presidente, Riak Mashar, que está foragido. Os conflitos
derivam, entre outros fatores, da ação de grupos antagônicos das etnias
rivais Dinka e Lou Nue, as maiores do país. Os confrontos estão no
âmbito das forças nacionais do Exército de Libertação do Povo do Sudão
(SPLA, sigla em inglês), em que há uma facção liderada por Mashar. O
ex-vice-presidente nega a tentativa.
Ao longo da semana, os ministérios das Relações Exteriores de
diversos Estados recomendaram cautela aos diplomatas no local e alguns
prédios, com os dos Estados Unidos, foram evacuados. Hoje (19), o Reino
Unido enviou um avião país para a retirada de 150 britânicos.
A ONU conduz uma missão de manutenção da paz no Sudão do Sul
(Unmiss, sigla em inglês) desde julho de 2011, quando país foi
formalmente criado, depois de conflitos com o Sudão e posterior
secessão. A situação do país foi considerada uma ameaça à paz e à
segurança internacionais desde então.
"Pedimos que o governo do Sudão do Sul faça o máximo para acabar com
a violência, garantir a segurança de civis, independentemente do
contexto. Isso vai permitir que as pessoas no nosso acampamento retornem
às suas casas", pediu a chefe da missão, Hilde Johnson.
Ontem (18), a Unmiss informou ter observado uma precarização das
condições de segurança na capital, Juba. A missão aumentou as restrições
das operações e de deslocamento das equipes na área. As condições, em
Bor, no Noroeste do país, a cerca de 200 quilômetros (km) da capital,
pioraram hoje, quando oposicionistas ao governo assumiram o controle da
cidade.
“Nossos soldados perderam o controle de Bor para as forças de Riek
Machar na tarde de quarta-feira”, informou o porta-voz do exército
sul-sudanês, Philip Aguer.
A ocupação de Bor levou a busca mais intensiva por refúgio nas
instalações da missão da ONU próxima à cidade. A Cruz Vermelha estima
que 19 civis tenham sido mortos nos confrontos de ontem (18).
*Com informações da Agência Lusa e da ONU
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