Pretória - Conhecido por participar da luta pelos direitos civis dos
negros nos Estados Unidos ao lado de Martin Luther King, o pastor Jesse
Jackson disse que depois do apartheid (segregação racial), a
África do Sul precisa lutar contra segregações de seu povo, geradas por
séculos de desigualdades. Ele acredita, contudo, que o país tem um
futuro promissor.
"A África do Sul tem um futuro brilhante. O maior problema é que,
embora o país seja livre, continua desigual. As grandes diferenças
acabam gerando um apartheid nas terras, na saúde, na educação e
na distribuição de renda. Esses gargalos precisam ser resolvidos para
se ter um novo país", acrescentou. Segundo ele, que participou das
cerimônias do funeral de Nelson Mandela em Pretória e Qunu, onde o corpo
foi enterrado, o ex-presidente construiu os alicerces para esse avanço.
Mandela contribuiu para a união do país e o fim da segregação
racial. Quando presidente, adotou um novo hino nacional, mesclando o
hino do Congresso Nacional Africano (CNA) – partido de negros que
lutavam contra o apartheid – com o africâner (língua falada no país), além de uma nova bandeira, unindo os símbolos das duas instituições.
No próximo ano, a África do Sul comemora 20 anos de liberdade e
democracia. Também promove eleições presidenciais. Depois de cumprir um
mandato no governo, Mandela ajudou seu partido a vencer três eleições
seguidas. Suceder um ícone mundial, símbolo de resiliência e exemplo
para o mundo, contudo, não é tarefa fácil. Nem para os governantes nem
para a população.
Thabo Mbeki, vice de Mandela, foi eleito e reeleito, mas teve de
renunciar antes de completar o segundo mandato por falta de apoio no
próprio CNA. Como presidente, ele negava a ligação entre o vírus HIV e a
aids e, por isso, se negava a distribuir remédios antivirais, o que
levou seu antecessor a se manifestar publicamente, contrariando Mbeki.
Em 2005, cerca de 30% das mulheres grávidas e 20% da população adulta
estavam infectadas pelo vírus.
Jacob Zuma, o atual presidente, enfrenta desconfiança da população
após casos de corrupção serem divulgados, como o uso de aproximadamente
US$ 20 milhões em recursos públicos para melhorias em uma propriedade
particular de sua família. Como reflexo da impopularidade, no dia 11,
quando um tributo foi realizado para Mandela no Estádio Soccer City, em
Joanesburgo, Zuma foi vaiado na frente de 90 chefes de Estado.
Após 95 anos de contribuição ao país, Mandela continuará permeando a
política local. Seu neto Mandla Mandela agradeceu várias vezes o apoio
do CNA durante o funeral. O líder é unanimidade entre a população, o
governo não. Ele foi um dos responsáveis pelo fim do regime do apartheid
e a consolidação de instituições mais receptivas e igualitárias. Na era
pós-Mandela, seus sucessores têm a responsabilidade de combater os
outros apartheids, como defende Jesse Jackson. ABr
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