Candidato da Frente de Esquerda ao governo do estado, Roberto Robaina (PSOL), participou, na manhã desta quarta-feira (06/08), de um café com a diretoria do Conselho de Administração do Rio Grande do Sul (CRA-RS). Em 45 minutos de pronunciamento, Roberto Robaina defendeu a valorização dos servidores de carreira em detrimento do loteamento da máquina pública com cargos em comissão (CCs), como fazem os partidos tradicionais.
O candidato reconhece que, do ponto de vista das finanças do estado, o corte de gastos com CCs não representa um grande alívio econômico. Trata-se, contudo, de uma demonstração de boa vontade política de um futuro governo da Frente de Esquerda, que estaria disposto a combater os privilégios da classe política. “O governo Tarso não paga o piso do magistério e, ao mesmo tempo, reajusta os salários de CCs. Como ele quer que um professor que ganha R$ 2 mil vá para a sala de aula motivado a educar?”, questionou.
Acompanhado da candidata a vice-governadora, Gabi Tolotti (PSOL), Roberto Robaina comentou a situação do Grupo Hospitalar Conceição (GHC), considerado pelo candidato como um exemplo de como a divisão partidária de cargos de chefia prejudica a gestão pública e o funcionamento dos serviços essenciais à população. “Existe a possibilidade de uma administração profissional e não desta partidocracia. Essa é a luta dos funcionários do Conceição. Nós propomos uma medida para resolver isso no estado: o corte de CCs”, anunciou.
Roberto Robaina defende a duplicação do orçamento da UERGS a partir do corte de 50% do valor gasto com cargos em comissão atualmente. “Temos uma universidade estadual com menos recursos que as universidades de Santa Catarina, do Paraná, da Bahia e do Pará. Os professores, funcionários e alunos são heróis que defendem a UERGS, mas não é possível que a universidade tenha que ser carregada nas costas por eles”, observou.
Dívida Pública
Roberto Robaina também explicou à diretoria do CRA-RS a proposta da Frente de Esquerda para o principal problema do Rio Grande do Sul: a dívida pública com a União. O candidato defendeu uma auditoria da dívida, que consome 13% da receita do estado – neste ano, o valor representará R$ 3,2 bilhões que deixarão de ser investidos em saúde, educação e segurança.
“O PSOL tem uma proposta drástica, que é a auditoria. É uma proposta real, o resto é perfumaria. Todos os candidatos diagnosticaram que esse é um problema grave, mas propõem que continue tudo como está”, afirmou.
O candidato acredita que o projeto de renegociação do resíduo da dívida não será votado em novembro pelo Congresso Nacional, como afirma o governador Tarso Genro, porque o governo federal não tem interesse em afrouxar o ajuste fiscal exercido em cima dos estados. “Por que esse acordo não foi votado antes? Por causa do comprometimento do governo federal com o ajuste fiscal. Para o mercado, a aprovação deste projeto apareceria como uma frouxidão no controle das contas públicas. Tem que ser muito ingênuo para achar que será votado em novembro. Qualquer pessoa que acompanha a política sabe que os governos fazem bondades antes da eleição, não depois”, opinou.
A proposta da Frente de Esquerda busca a realização de uma auditoria na dívida pública, suspendendo os pagamentos até que a investigação seja concluída. O processo é semelhante ao que já foi realizado no Equador, em 2008, quando o presidente Rafael Correa determinou que fosse feita uma auditoria na dívida do país e, após a constatação de diversas ilegalidades, conseguiu abater 70% do saldo devedor.
Segurança e saúde
Ao falar sobre segurança pública, Roberto Robaina defendeu a unificação da forma de ingresso na Brigada Militar. Atualmente, existem dois concursos para quem deseja ingressar na corporação: o de soldado, onde o servidor pode chegar, no máximo, ao posto de tenente, e o de capitão, onde o servidor pode vir a ser coronel sem nunca ter atuado na base da categoria.
O candidato da Frente de Esquerda também disse que a polícia precisa estar orientada para investigar os crimes contra a vida, como latrocínio e homicídio, e não para servir de braço armado à política de guerra às drogas, que criminaliza a juventude pobre e negra sob o pretexto de combater o tráfico.
“O Presídio Central tem mais ou menos 4,4 mil presos. A metade é por tráfico de drogas. Não tem nenhum grande traficante preso. Os grandes magnatas deste ramo de produção não estão nas favelas. Muitos destes presos são consumidores de drogas, não traficantes. Mas se a pessoa é negra, pobre e presa com maconha no Rubem Berta, é presa como traficante”, lamentou.
Roberto Robaina também criticou a privatização da saúde pública no Brasil e no estado, que ocorre mediante a destinação de verbas do governo para hospitais privados e filantrópicos. “O Brasil tem uma saúde privatizada. A maior parte dos recursos públicos vão para os hospitais privados e filantrópicos. O ramo da saúde é altamente lucrativo”, observou. Foto: PSol
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