Durante comício em Curitiba, defesa é o melhor ataque para Marina Silva

Marina Silva (PSB) esteve em Curitiba, nesta terça, no Espaço Torres, em Curitiba (Foto: Roberto Dziura Jr./Brazil Photo Press)
Marina Silva (PSB) esteve em Curitiba, nesta terça, no Espaço Torres, em Curitiba (Foto: Roberto Dziura Jr./Brazil …
“A Marina é que nem bambu, verga mas não quebra”, disse na terça-feira o candidato a vice-presidência pelo PSB, Beto Albuquerque, referindo-se à aparência magra e delicada de Marina Silva. Durante o evento lotado em Curitiba, em um ensolarado 23 de setembro, ele quis deixar claro, com isso, que a candidata presidencial não será dobrada nem enfraquecida pelos ataques dos adversários na corrida presidencial.
Frente ao pesado tiroteio que tem sofrido nas últimas semanas, Marina refuta a estratégia de Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB) aplicada contra ela - e até mesmo entre os dois - de que “o ataque é a melhor defesa”, e tem salientado que não se engajará em “marketing selvagem”.
Mas o “bambu", depois de entortado, também rebate, e, tão mordazes têm sido suas defesas nos últimos dias, que ela mesma tem aparentado encenar um ataque.
E é principalmente com Dilma que a defesa de Marina toma forma de revide.
Reafirmando ser contra a reeleição, mesmo rouca ela alterou o tom de voz quando disse, em discurso aos curitibanos no bairro do Jardim Botânico, que “um governante não pode colocar o futuro de uma nação abaixo de sua reeleição”, aludindo às “mentiras” que, segundo ela, a campanha da petista tem propagado sobre seu plano de governo.
Soando ressentida com o partido no qual iniciou sua carreira política em meados da década de 1980, ela - que até 2008 era ministra de Meio Ambiente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e subordinada de Dilma, então ministra da Casa Civil - criticou a imagem que vem sendo pintada pela campanha do PT, de que seria uma “exterminadora do futuro”.
Grande parte da preocupação de Marina é que eleitores acreditem que, se eleita, ela acabaria com diversos benefícios sociais conquistados nos últimos anos, como Bolsa Família, Pronatec, Fies e Minha Casa Minha Vida. “Imagina o que é ganhar uma eleição mentindo para 200 milhões de brasileiros”, disse ela sobre os ataques adversários.
“Aqueles que sofreram calúnia agora estão caluniando”, disse ela aos curitibanos durante a manhã, referindo-se aos ataques que o ex-presidente Lula e o PT sofreram antes de chegar ao poder em 2003. Ela mencionou especialmente as diretas de 1989, quando Lula concorreu contra Fernando Collor de Mello (PTB-AL), seu aliado atual, mas quem à época usou artifícios bastante, digamos, tacanhos contra o líder sindicalista. Marina, inclusive, comparou Dilma a Collor recentemente.
Outro ponto de revide de Marina veio com as recentes previsões econômicas divulgadas nesta semana e com a manobra do governo para fechar as contas públicas neste ano.
Além de divulgar uma menor previsão de crescimento do Produto Interno Bruto de 2014 (de 1,8% para 0,9%), o governo anunciou um saque de R$ 3,5 bilhões do Fundo Soberano (uma espécie de poupança do governo) para cobrir a queda na arrecadação sem evitar grandes cortes de gastos.
“O uso dos recursos do Fundo Soberano para socorrer as contas públicas do governo é uma demonstração clara que, de fato, esse governo está comprometendo o desenvolvimento a estabilidade econômica do nosso país”, disse ela em uma coletiva de imprensa tão cheia em uma casa de eventos na capital paranaense que um jornalista brincou que toda a imprensa do Estado lá estava presente.
(Foto: Divulgação/Campanha Marina Silva)(Foto: Divulgação/Campanha Marina Silva)
“Mais uma vez foi reajustada para baixo a taxa de crescimento do país”, disse Marina antes de disfarçar sua defesa violenta.
"Eu não faço a política do quanto pior melhor, nós queremos é que o nosso país possa crescer, mas para crescer é preciso que se reconheçam os erros e não se faça o discurso otimista quando na verdade há uma situação de preocupação a ponto de um fundo, que foi criado para ser usado em situação de extrema gravidade, agora estar sendo utilizado.”
Apesar das rebatidas para Dilma e o governo federal, Marina também tem fôlego para ricochetear as afirmações de Aécio Neves, que tem sido bastante brando nas atribuições à candidata (como considerar que “ela tem boas intenções"), mas bem duro nas críticas (como dizer que ela “não tem condições de construir uma agenda para o Brasil”).
“O pior ataque é aquele disfarçado de respeito”, disse Marina durante o comício, logo depois da coletiva de imprensa. “Ele nem plano de governo tem”.
Para a ambientalista, Aécio escolheu uma "única" pessoa para “chancelar" sua candidatura, em referência à afirmação de que o tucano nomearia o notório economista Armínio Fraga como ministro da Fazenda caso fosse eleito, enquanto ela afirmou ter diversos economistas, educadores e toda uma gama de profissionais renomados em seu apoio.
Tudo bem
(Foto: Divulgação/Campanha Marina Silva)(Foto: Divulgação/Campanha Marina Silva)
Apesar do jogo de ataque e defesa das eleições, em Curitiba tudo estava nos conformes para a candidata. Agradecendo a Deus por poder estar lá, como sempre faz, sua presença reuniu muitos políticos locais, eleitores, militantes, além de palmas, assobios e gritos de apoio. Deu autógrafos e tirou “selfies".
Em um sinal da união partidária que Marina quer “entre os melhores”, o palanque estava tão cheio que o apresentador, aos berros, teve que alertar diversas vezes para que se desse espaço para a ambientalista.
Mas talvez, em algum momento, toda essa agitação tivesse ido longe demais.
Apesar de não serem aliados, circulava um panfleto no qual Marina posava ao lado do candidato ao governo do Paraná Roberto Requião (PMDB), partido que apoia Dilma. Também estava presente no palco o candidato ao governo do Estado pelo PTC, Tulio Bandeira, cuja sigla integra a chapa de Aécio Neves. Não obstante, o candidato à Câmara Eduardo Reiner, do PV, cujo postulante à Presidência é Eduardo Jorge, não desgrudou da candidata.
Passava das 11h30 quando Marina se despediu e deixou o palanque. Não havia tempo a perder. Naquele mesmo dia, ela visitaria as outras duas capitais da região sul do país, provavelmente para fazer tudo isso novamente.
(Foto: Reprodução)(Foto: Reprodução)
 AE
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