Para bancada do PT, Sartori desconhece o próprio governo
Quem de fato está governando o Rio Grande? A indagação vem da bancada do PT na ALRS, após ouvir a entrevista do governador Sartori à Rádio Gaúcha, na manhã desta sexta-feira (20). Na entrevista, o governador falou sobre a apresentação do quadro financeiro do Estado, realizada na quinta-feira (19), para a imprensa gaúcha, com um pronunciamento oficial no Palácio Piratini. O anúncio foi realizado com a presença dos secretários de Estado e foi seguido por uma apresentação detalhada feita pelo secretário da Fazenda, Giovane Feltes.
"Mais uma vez, infelizmente, o governador não disse a que veio", constatou o líder da bancada, Luiz Fernando Mainardi, lembrando que tanto na quinta-feira, na apresentação das finanças, quanto na entrevista desta sexta, o governador não apresentou medidas concretas para aumentar a receita do Estado. "Cinco meses depois da sua eleição, Sartori só apresenta mais cortes, atingindo áreas essenciais como a saúde, educação e segurança", afirmou Mainardi.
Para o deputado petista, é estarrecedor que o governador participe de uma entrevista - menos de 24 horas depois da apresentação do quadro financeiro do Estado pelo secretário da Fazenda - e negue a informação do próprio secretário. "Enquanto Giovane Feltes admite que o governo usou recursos dos depósitos judiciais para pagar a dívida, o governador nega o fato", ressalta. "E depois vem o coordenador de comunicação esclarecer que o governador se confundiu", lembra o parlamentar. "O governador sequer sabe o que o seu governo está pagando e da onde vem os recursos que estão sendo usados", constata.
Negação de cortes
Durante a entrevista, o governador insistiu que as áreas da saúde, educação e segurança são prioridades da sua gestão. No entanto, os decretos assinados por Sartori revelam o contrário. Pelo contingenciamento determinado pelo governador, a saúde terá um corte de 12% dos seus recursos, a segurança perderá 31% do seu orçamento, a educação terá suprimido 13% do seu orçamento e o desenvolvimento rural ficará com 22% a menos de recursos. "São profundos e drásticos cortes, recheados de discurso de marketing, aumentando a instabilidade de servidores e daqueles que mais precisam de políticas públicas" disse Mainardi.
Iniciativa Zero
Além de não anunciar medidas para garantir os investimentos que o Rio Grande precisa, o governador revelou na entrevista a total falta de inciativa do seu governo. Sartori fez questão de esclarecer que, ao contrário do que foi noticiado pela imprensa, "nós não pedimos audiência com o ministro da Fazenda até agora". "Esta declaração é do governador. Cinco meses depois de eleito ele reconhece que ainda não pediu audiência com o ministro da Fazenda para tratar das finanças gaúchas", enfatiza Mainardi. Outro destaque da entrevista do governador, é o anúncio de que apenas em meados de abril, o governo fará uma segunda rodada de planejamento para tratar das metas e projetos. "Neste quadro, a pergunta que não quer calar é quem afinal está governando o Rio Grande?", indaga Mainardi.
Página virada
A entrevista do governador, na opinião de Mainardi, vira a página sobre as opções feitas pelo governo Tarso na área das finanças. "O governo Sartori usa as mesmas fontes financeiras que, até o momento, criticava o governo Tarso por ter usado", lembra. De acordo com o secretário da Fazenda, o governo usou R$ 200 milhões do caixa único, dos empréstimos internacionais, e outros R$ 300 milhões dos depósitos judiciais. "Ao usar esses recursos penso que o governo Sartori encerra a fase de olhar para o retrovisor", comenta o petista.
O déficit real
Na opinião do líder da bancada do PT na ALRS, a divergência de números entre a fala do governador e a fala do seu secretário da Fazenda só prova, mais uma vez, que o discurso do déficit para 2015 é pura especulação. Para ele, o que existe de concreto é o que a bancada petista vem afirmando: o déficit do ano passado foi de R$ 1 bilhão e 260 milhões. Para compensar este quadro, o governador contará, em 2015, com R$ 1 bilhão extra na receita do ICMS, oriundo do aumento da tarifa de energia elétrica; R$ 140 milhões da variação da CIDE e mais R$ 250 milhões de créditos passados do ICMS que serão resgatados devido a uma ação da PGE que obteve sentença favorável. "Isto sem considerar o impacto da grande safra deste ano", observa o parlamentar. "Por tudo isso, não é possível afirmar o valor do déficit em 2015 e nem mesmo se haverá déficit", concluiu o petista.
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