Supremo autoriza investigação de congressistas por corrupção na Petrobras

O Supremo Tribunal Federal autorizou, nesta sexta-feira, a abertura de inquérito contra 12 senadores e 22 deputados pelo escândalo de corrupção na Petrobras, entre os quais os presidentes do Senado, Renan Calheiros, e da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, ambos do PMDB, partido da base do governo.
No total, a resolução habilita a procuradoria-geral a investigar 49 autoridades com mandato e políticos que em algum momento ocuparam cargos públicos, informou a procuradoria, que ficará a cargo das investigações.
"A instauração de inquérito foi considerada viável porque há indícios de ilegalidade", informou a alta corte em um comunicado, citando o ministro relator do caso, Teori Zavascki.
A teia de crimes que enredou a Petrobras vinculou algumas das maiores empresas do país com a diretoria da petroleira, em um azeitado mecanismo de subornos e desvios de recursos que teria movimentado 4 bilhões de dólares na última década.
A chamada "lista de Janot", em alusão ao procurador-geral da República Rodrigo Janot, que apresentou ao STF os pedidos deferidos nesta sexta-feira, causou mal-estar e irritação no Congresso, provocando uma tempestade política entre o governo e seus aliados.
Os efeitos para a imagem pública dos políticos que serão investigados poderão azedar ainda mais a relação entre o governista PT, que tem entre seus fundadores o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e o PMDB, considerado o "partido da governabilidade" pela estrutura legislativa que aporta.
Segundo depoimentos de alguns acusados de envolvimento no escândalo, que falaram com a condição de uma redução de suas eventuais penas, declarações que acabaram sendo divulgadas pela imprensa, os recursos foram destinados a contas pessoais ou para financiar partidos políticos. A lista inclui nomes do PT, do PMDB, do PP (também aliado do governo), do opositor PSDB e do PTB (ex-integrante da coalizão, que apoiou o PSDB nas eleições de 2014).
As revelações da "Operação Lava Jato" atingiram o PT quando seu tesoureiro, João Vaccari Neto, foi levado a depor na Polícia Federal e depois liberado.
Segundo diferentes ações, o pagamento para os diretores da Petrobras e operadores políticos variava entre 1% e 3% do total dos contratos milionários.AE
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